ARTIGO ESPECIAL: Geografia e Turismo, de “mãos dadas”

Murilo de Carvalho Góes
Geógrafo e Jornalista

A geografia é uma ciência muito importante para o turismo, pois ajuda a compreender melhor o uso do espaço e as transformações que são constantes em qualquer localidade, de qualquer porte. E, na prática, auxilia na localização, que é fundamental para encontrar os melhores caminhos de uma viagem, situar-se num mapa e reduzindo as chances de se perder em um local que não é conhecido.

O espaço turístico, conceito gerado a partir do espaço geográfico, apresenta três características principais: a) áreas emissoras – de onde partem os turistas e ponto de início das viagens; b) áreas de deslocamento – estruturas como estradas, postos de gasolina e cidades de passagem e hospedagem provisória até à chegada ao destino desejado; c) área receptoras – que são as localidades que receberão os turistas, ou seja, os pontos de chegada, onde o turista planeja o que fazer neste lugar.

Vale reforçar o conceito de turismo: Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), “O turismo é uma atividade econômica que as pessoas realizam suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócio e outras”.

Já o turista é: “passageiro que permanece uma noite pelo menos (mais de 24 horas) em um meio de alojamento do local visitado, sem ter objetivo de lucro”; O excursionista, por sua vez, é o viajante que se desloca de sua residência habitual para outra região e não pernoita (menos de 24 horas) num meio de alojamento do local visitado”.

A expansão do turismo, doméstico e internacional, se deu, nas últimas décadas do século XX e início do século XXI, pelos seguintes fatores:

  • Antes restritas a pessoas de alto poder aquisitivo, as viagens para outros países foram democratizadas e ampliadas para diversos públicos;
  • Praticamente todos os países realizam políticas públicas para o incentivo ao turismo;
  • O desenvolvimento dos transportes, como o rodoviário, o aéreo, as ferrovias e hidrovias);
  • O desenvolvimento das telecomunicações e da Internet facilitou a comunicação entre as empresas de turismo, assim como o acesso dos turistas em potencial a ferramentas de pesquisa de preços de hotéis, viagens e outros produtos turísticos.

Portanto, geografia e turismo andam de “mãos dadas”. O espaço geográfico é modificado, por conta da necessidade de criar estrutura para a atividade turística, além de promover a compreensão de qual modo as características de cada paisagem influenciam na prática do turismo.

Existem três tipos de turismo, se levarmos em conta o espaço geográfico e seu meio, e que são de extrema valia para a definição do destino de viagens:

  • Meio urbano: atrativos históricos, culturais, infraestrutura, transportes, hospedagem, alimentação, de serviços e saneamento básico, entre outras;
  • Meio rural: atrativos de natureza, zona rural, hotéis-fazenda e infraestruturas esparsas;
  • Meio litorâneo: une e apresenta características urbanas e rurais, como praias mais afastadas ou no meio urbano; neste meio, que é um dos mais procurados, deve-se usar dados geográficos sobre clima e infraestrutura.

O clima, com suas condições e sazonalidades, é importante e decisivo, pois é necessário estar atualizado para as condições meteorológicas do lugar de destino no período de viagem, como o frio, a neve, o calor, os terremotos, os vulcões, os tornados, as marés, as ressacas, o vento, os ciclones, as geadas, as quedas de granizo, as estiagens, entre outros.

O espaço geográfico é um importante conceito para a Geografia. Mesmo com algumas divergências entre cientistas renomados da área, um dos conceitos relacionados é o entendimento do espaço, o papel, nesta ciência, da investigação da realidade dos aspectos físicos, naturais e sociais, sobretudo nas relações entre sociedade e natureza.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que: o espaço geográfico é um conjunto de sistemas de objetos e ações, isto é, os itens e elementos artificiais e as ações humanas que manejam tais instrumentos no sentido de construir e transformar o meio, seja ele natural ou social”.

Há diversos conceitos conflitantes sobre o espaço geográfico. Porém, há um consenso de que ocorre, dentro desse espaço, representa a intervenção do homem sobre o meio, ou seja, as relações humanas e suas práticas sobre o substrato natural (solos, território etc.).

A construção de pontes, edifícios e outros tipos de elementos de uma cidade, além da revitalização de áreas degradas e as transformação do espaço, é parte integrante do espaço geográfico.

Concluindo este artigo, vamos conhecer as categorias geográficas, conceitos que podem ajudar desde profissionais no planejamento turístico até o auxílio do turista durante o seu período de viagem. Lista abaixo:

  1. Paisagem: é tudo o que nós vemos e tudo o que a nossa percepção alcança (exemplos: Torre Eiffel, Cristo Redentor);
  2. Lugar: porção ou parte do lugar em que vivemos (exemplos: Praça da Alfândega, Praia de Atlântida);
  3. Território: espaço definido ou delimitado por e a partir das relações de poder e dominação e apropriação no qual é instalado (exemplos: o território brasileiro, a Turquia, na parte europeia e asiática);
  4. Região: área separada com semelhanças em comum e características próprias (Região das Hortênsias, Pampa Gaúcho).
Pedra do Segredo, em Caçapava do Sul, na Região do Pampa Gaúcho. Foto de Murilo de Carvalho Góes.

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