ARTIGO ESPECIAL: Breve análise da Metade Sul do RS

É a porção do RS que abrange o centro, oeste e sul do estado e que difere da porção norte-nordeste sobretudo pelo caráter econômico.

É composta por pouco mais de 100 municípios, abrange mais de 50% do território gaúcho, mas concentra apenas 30% da população.

Economicamente, gera 25% das receitas do Estado, mas apenas 9% desses investimentos são retornados para essa região.

Por que uma região, outrora próspera e desenvolvida e que até hoje apresenta um grande potencial econômico (que não é aproveitado) está na atual situação?

A Guerra dos Farrapos foi o começo da queda da Metade Sul, face às crises econômicas, à concorrência do charque de outras regiões e à falta de mais atenção do Governo Imperial.

A Metade Sul dependia da criação de gado, do charque e do couro para o seu crescimento econômico.

Mas o fato crucial para a estagnação da região Sul foi a Constituição de Julio de Castilhos, em 1891; através dela, ocorreu uma ditadura no Estado. Segundo o sistema castilhista, a região ousava afrontar os interesses econômicos e políticos do Governo vigente, devido às tendências separatistas.

Desde aquele tempo, há uma inexpressiva participação da Metade Sul nas decisões do Estado. Quanto à participação da região no Governo Federal…

Houve um período importante que deu esperança à pecuária da Metade Sul, face à necessidade da Europa importar carne: a Primeira Guerra Mundial! Empréstimos generosos aos criadores, circulação de capitais e melhora dos rebanhos reanimaram a região.

Mas, com o fim da Guerra, houve grandes problemas com os empréstimos, levando os fazendeiros a falência: é o retorno da recessão!

Ocorreram, a partir dessa época, grandes investimentos industriais e de infra-estrutura em Porto Alegre e seu entorno, enquanto que a estagnação tomou (e até hoje toma) conta de uma região que possui um ótimo potencial para o desenvolvimento econômico e que não é aproveitado.

As consequências atuais do problema sócio-econômico da Metade Sul, são entre as principais:

– Falta de grandes investimentos industriais na região;

– Desemprego, miséria e baixo poder aquisitivo da população;

– Falta de representação e pouco vontade política;

– Migração para a Metade Norte, em busca de empregos.

Porém, nos últimos anos, a Metade Sul começa a receber incentivos e empreendimentos, visando o futuro econômico da região, como melhorias no porto de Rio Grande, projetos turísticos, produção de vinícolas – em 2022, a Região da Campanha é responsável por mais de 30% da produção nacional de vinhos –  e de azeites – produção cada vez mais crescente, em municípios como Caçapava do Sul e Candiota -. Ainda citam-se as cidades de Fronteira (Uruguaiana, Livramento, São Borja); as cidades universitárias, comerciais, agropecuárias, culturais e centros regionais (Bagé, Pelotas, Santa Maria, Alegrete, São Gabriel) Planejam-se melhorias para os próximos anos, fazendo com que a cultura peculiar da região e suas potencialidades cresçam novamente, para uma região mais forte.

Reflexões:

a) Será que a Metade Sul não teria estrutura natural e física o suficiente para a implantação e o suporte de empreendimentos econômicos, já que na região, assim como na Metade Norte, existem terras apropriadas para a pecuária, agricultura, regiões turísticas e alguns recursos minerais?

b) Que soluções são necessárias para que a economia da Metade Sul possa se reerguer e retornar aos “bons tempos”?

REFERÊNCIAS

  • MAGNOLI, Demétrio; MENEGOTTO, Ricardo; OLIVEIRA, Giovana. Cenário Gaúcho – Representações históricas e geográficas. São Paulo: Moderna, 2001.
  • RODRIGUES, Irajá. 110 anos de opressão e luta. Rio Grande do Sul: s.ed., s.d.

Texto produzido em maio de 2007, durante o curso de Geografia da Universidade Luterana do Brasil, campus Canoas/RS.

Campo em Bagé / Imagem de Internet
Vista parcial de Pelotas (FOTO: Murilo de Carvalho Góes)

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