ARTIGO ESPECIAL: Resumo Histórico e Geográfico de Lavras do Sul

Introdução

Localizado na Região da Campanha do Rio Grande do Sul, a 320 km de Porto Alegre (Capital do Estado), Lavras do Sul é um município com origem na formação das Missões Jesuíticas e tratados de Fronteiras do século XVIII e, também, na mineração do ouro.

Sua população estimada, em 2020, é de 7.444 pessoas (no Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística, a população é de 7.679 pessoas). A densidade demográfica, em 2010, 2,95 hab/km².

As Coordenadas Geográficas da Sede Municipal de Lavras do Sul são: latitude 30°48’41”S (sul) e longitude 53°54’02”W (oeste). Os municípios vizinhos, que formam mais de 400 km de limites, são: Vila Nova do Sul, Santa Margarida do Sul e São Sepé (norte), São Gabriel (norte e noroeste), Dom Pedrito (oeste, sul e sudoeste), Bagé (sudeste) e Caçapava do Sul (leste e nordeste).

O natural ou habitante do município se diz como lavrense.

História

Lavras do Sul originou-se de um acampamento mineiro instalado às margens do Arroio Camaquã das Lavras, para exploração de pepitas de ouro depositadas em seu leito. Por conta da descoberta e busca de ouro, a região atraiu colonizadores das mais diversas etnias e regiões.

A questão dos tratados de formação territorial do Rio Grande do Sul também foi muito importante para a formação de Lavras do Sul, cujas linhas unem-se dentro do município, formando um vértice histórico.

Após o início do século XIX, formou-se um núcleo populacional, que desmembrou de Rio Grande e Rio Pardo e, no dia 9 de maio de 1882, foi emancipado de Caçapava do Sul. Depois, tornou-se cidade em 1938.

A colonização do município, segundo diversas fontes históricas, teria começado em 1825 (há quem discorde, por conta da expansão das Missões, no século XVIII, em que haveria fortes indícios de núcleos populacionais no atual território lavrense).

Descrição geográfica

Localizado no Escudo Sul-Rio-grandense, situa-se a uma altitude média de 277 metros acima do nível do mar (mais de 460 metros em algumas áreas da zona rural). No leste do território lavrense, de 2.601 km², as terras são mais elevadas e com uma vegetação um pouco mais densa; já a oeste, o relevo é mais plano com campos limpos. A Serra do Ibaré é o divisor de águas entre os dois Distritos Lavrenses (Sede e Ibaré).

Lavras do Sul tem diversos acidentes geográficos, entre eles: morros, formações rochosas, rios, arroios, sangas, pequenas serras, coxilhas, lagoas, praia fluviais e outros.

A vegetação é típica do Bioma Pampa, grande parte dela composta por campos e capões de mato.

A Hidrografia (rios e cursos d’agua) tem como destaques o Arroio Camaquã das Lavras (que cruza a Sede Municipal de Lavras do Sul e é um dos formadores do Rio Camaquã, que deságua na Laguna dos Patos), o Arroio Jaguari (Segundo Distrito, que  passa pelo Ibaré) e o Rio Santa Maria (que forma divisa natural com Dom Pedrito.

O clima é subtropical úmido, estações do ano bem definidas, com verões e invernos rigorosos, além de ocorrências de estiagens e geadas. A média anual de temperaturas em Lavras do Sul é de 18°C (24°C no verão e de 6°C a 12°C no inverno). As chuvas, embora aconteçam períodos de estiagem, como em 2012, 2020 e 2021, são bem distribuídas, com a média de 1.500 mm anuais.

O solo de Lavras é provido em abundância, composto de formação granítica e elementos ásperos, que lhe dão aspectos de rocha dura, multicolor, evidenciando o branco semelhante ao mármore (LEITE, 2005). Há uma grande ocorrência de rochas vindas de antigas atividades do vulcanismo (denominadas de magmáticas ou ígneas), de formações e misturas (sedimentares) e de transformações entre diversos tipos de minerais (metamórficas). Parte do território de Lavras do Sul está dentro das Serras do Sudeste, um baixo planalto que foi bastante erodido há milhares de anos (origem pré-cambriana, ou seja, da formação inicial do relevo da Terra).

Sobre a fauna, estão registrados, no mínimo, mais de 200 espécies de aves e pássaros no território de Lavras do Sul. Há a ocorrência, também, de preás, gambás, capivaras, caturritas, cobras, lagartos, sapos e outros animais.

Grande parte da população tem animais domésticos. Nas fazendas e estâncias, encontramos os animais típicos, como os gados bovinos, equinos e ovinos, além de cabras, galináceos, suínos e outros.

ARTIGO ESPECIAL: A importância do Turismo Rural

Murilo de Carvalho Góes
Geógrafo e Jornalista

FOTO: Murilo de Carvalho Góes
O turismo rural é uma atividade de muita valia, que deve ser ecologicamente correta, sustentável e justa, além de possui uma característica típica dos ambientes rurais. Novas funções para as famílias que estão praticando esta atividade estão surgindo, promovendo uma visão mais ampla das comunidades envolvidas.
Muitos dos apreciadores do turismo rural fazem parte do meio urbanizado e veem nas paisagens das fazendas, sítios, chácaras e estâncias, a oportunidade de conhecer espaços de diferentes valores (belas paisagens, menos poluição e barulho e mais tranquilidade, em contato com a natureza).

Esta atividade satisfaz as necessidades dos visitantes e de quem trabalha na área, movimentando comunidades rurais, gerando novas vitrines e mercados para produtos artesanais, fontes de renda e diminuição do êxodo rural. Promovem ainda o intercâmbio entre as culturas e a consciência da preservação do ambiente.

As belas paisagens lavrenses são inspiradoras e de grande potencial para empreendimentos, tanto os já instalados como para novos que possam vir a ser implementados na zona rural do município. A Região do Pampa Gaúcho apresenta um forte potencial para o turismo em suas fazendas.

ARTIGO ESPECIAL: Geografia e Turismo, de “mãos dadas”

Murilo de Carvalho Góes
Geógrafo e Jornalista

A geografia é uma ciência muito importante para o turismo, pois ajuda a compreender melhor o uso do espaço e as transformações que são constantes em qualquer localidade, de qualquer porte. E, na prática, auxilia na localização, que é fundamental para encontrar os melhores caminhos de uma viagem, situar-se num mapa e reduzindo as chances de se perder em um local que não é conhecido.

O espaço turístico, conceito gerado a partir do espaço geográfico, apresenta três características principais: a) áreas emissoras – de onde partem os turistas e ponto de início das viagens; b) áreas de deslocamento – estruturas como estradas, postos de gasolina e cidades de passagem e hospedagem provisória até à chegada ao destino desejado; c) área receptoras – que são as localidades que receberão os turistas, ou seja, os pontos de chegada, onde o turista planeja o que fazer neste lugar.

Vale reforçar o conceito de turismo: Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), “O turismo é uma atividade econômica que as pessoas realizam suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócio e outras”.

Já o turista é: “passageiro que permanece uma noite pelo menos (mais de 24 horas) em um meio de alojamento do local visitado, sem ter objetivo de lucro”; O excursionista, por sua vez, é o viajante que se desloca de sua residência habitual para outra região e não pernoita (menos de 24 horas) num meio de alojamento do local visitado”.

A expansão do turismo, doméstico e internacional, se deu, nas últimas décadas do século XX e início do século XXI, pelos seguintes fatores:

  • Antes restritas a pessoas de alto poder aquisitivo, as viagens para outros países foram democratizadas e ampliadas para diversos públicos;
  • Praticamente todos os países realizam políticas públicas para o incentivo ao turismo;
  • O desenvolvimento dos transportes, como o rodoviário, o aéreo, as ferrovias e hidrovias);
  • O desenvolvimento das telecomunicações e da Internet facilitou a comunicação entre as empresas de turismo, assim como o acesso dos turistas em potencial a ferramentas de pesquisa de preços de hotéis, viagens e outros produtos turísticos.

Portanto, geografia e turismo andam de “mãos dadas”. O espaço geográfico é modificado, por conta da necessidade de criar estrutura para a atividade turística, além de promover a compreensão de qual modo as características de cada paisagem influenciam na prática do turismo.

Existem três tipos de turismo, se levarmos em conta o espaço geográfico e seu meio, e que são de extrema valia para a definição do destino de viagens:

  • Meio urbano: atrativos históricos, culturais, infraestrutura, transportes, hospedagem, alimentação, de serviços e saneamento básico, entre outras;
  • Meio rural: atrativos de natureza, zona rural, hotéis-fazenda e infraestruturas esparsas;
  • Meio litorâneo: une e apresenta características urbanas e rurais, como praias mais afastadas ou no meio urbano; neste meio, que é um dos mais procurados, deve-se usar dados geográficos sobre clima e infraestrutura.

O clima, com suas condições e sazonalidades, é importante e decisivo, pois é necessário estar atualizado para as condições meteorológicas do lugar de destino no período de viagem, como o frio, a neve, o calor, os terremotos, os vulcões, os tornados, as marés, as ressacas, o vento, os ciclones, as geadas, as quedas de granizo, as estiagens, entre outros.

O espaço geográfico é um importante conceito para a Geografia. Mesmo com algumas divergências entre cientistas renomados da área, um dos conceitos relacionados é o entendimento do espaço, o papel, nesta ciência, da investigação da realidade dos aspectos físicos, naturais e sociais, sobretudo nas relações entre sociedade e natureza.

O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que: o espaço geográfico é um conjunto de sistemas de objetos e ações, isto é, os itens e elementos artificiais e as ações humanas que manejam tais instrumentos no sentido de construir e transformar o meio, seja ele natural ou social”.

Há diversos conceitos conflitantes sobre o espaço geográfico. Porém, há um consenso de que ocorre, dentro desse espaço, representa a intervenção do homem sobre o meio, ou seja, as relações humanas e suas práticas sobre o substrato natural (solos, território etc.).

A construção de pontes, edifícios e outros tipos de elementos de uma cidade, além da revitalização de áreas degradas e as transformação do espaço, é parte integrante do espaço geográfico.

Concluindo este artigo, vamos conhecer as categorias geográficas, conceitos que podem ajudar desde profissionais no planejamento turístico até o auxílio do turista durante o seu período de viagem. Lista abaixo:

  1. Paisagem: é tudo o que nós vemos e tudo o que a nossa percepção alcança (exemplos: Torre Eiffel, Cristo Redentor);
  2. Lugar: porção ou parte do lugar em que vivemos (exemplos: Praça da Alfândega, Praia de Atlântida);
  3. Território: espaço definido ou delimitado por e a partir das relações de poder e dominação e apropriação no qual é instalado (exemplos: o território brasileiro, a Turquia, na parte europeia e asiática);
  4. Região: área separada com semelhanças em comum e características próprias (Região das Hortênsias, Pampa Gaúcho).
Pedra do Segredo, em Caçapava do Sul, na Região do Pampa Gaúcho. Foto de Murilo de Carvalho Góes.